Entre numa loja de produtos de saúde, percorra o TikTok ou espreite as prateleiras do seu retalhista de beleza preferido e encontrará a mesma promessa recorrente: uma cápsula, um pó ou uma poção podem ser o segredo para uma pele luminosa, mais energia ou até uma «desintoxicação» interna.
Entre os produtos mais promovidos estão a clorofila - o pigmento verde das plantas, agora presente em águas e tinturas da moda - e o colagénio, a proteína apresentada como o santo graal da pele jovem e das articulações fortes.
Mas que parte deste entusiasmo é realmente sustentada pela ciência? E quanto não passa de marketing inteligente, embrulhado em sumos verdes e embalagens reluzentes?
Vale a pena olhar mais atentamente para aquilo que estes produtos fazem de facto, para o que dizem as provas e para saber se o seu dinheiro - e as suas expectativas - não serão mais bem aplicados noutro lado.
Clorofila
Vegetais de folha verde-escura, como a couve kale e a couve-preta, são conhecidos por aumentarem a ingestão de nutrientes essenciais, incluindo ferro, folato e betacaroteno. Também contêm bastante clorofila, o pigmento essencial para a fotossíntese, processo através do qual as plantas aproveitam a luz solar para produzir glicose e oxigénio.
Alguns influenciadores de bem-estar, entre os quais Gwyneth Paltrow e Kourtney Kardashian-Barker, ajudaram a transformar a água com clorofila numa parte popular das rotinas diárias de saúde.
Ambas a promovem através das respetivas marcas de bem-estar, Goop e Poosh, anunciando alegadas vantagens que vão da redução do odor corporal ao apoio à desintoxicação. Uma das afirmações mais repetidas é que a clorofila, adicionada à água ou tomada como suplemento, consegue «oxigenar» o sangue.
No entanto, como Ben Goldacre - médico, académico e conhecido crítico da pseudociência - salientou, essa ideia não resiste propriamente ao escrutínio. Ao contrário de uma folha de planta, o corpo humano não está exposto à luz solar de forma contínua.
Sem luz, a clorofila não consegue realizar fotossíntese no intestino nem na corrente sanguínea. Por muito verde que seja o batido, não pode produzir oxigénio dentro do organismo.
O que a clorofila faz realmente
Além de deixar as plantas - e as fezes - num tom verde intenso, a sua função principal é captar a luz solar e transformar água e dióxido de carbono em glicose e oxigénio. Recorde as aulas de Biologia do ensino secundário e a conhecida equação da fotossíntese escrita no quadro.
Por esta via, as plantas produzem alimento para si próprias e para os animais, libertando simultaneamente oxigénio para a atmosfera. É um processo indispensável à vida na Terra.
Contudo, como respiramos oxigénio e consumimos hidratos de carbono, conseguimos prosperar sem clorofila. Para funcionar nos seres humanos como funciona nas plantas, teria provavelmente de estar presente na nossa pele, transformando-nos, na prática, na Bruxa Má do Oeste.
E quanto às alegações de saúde mais abrangentes? As embalagens de suplementos de clorofilina - uma forma semissintética e solúvel em água de clorofila, considerada mais ativa - prometem frequentemente desintoxicação, pele luminosa, melhor cicatrização de feridas e até um odor corporal mais agradável.
Os mecanismos propostos? A clorofila poderá travar o crescimento de bactérias ou neutralizar compostos malcheirosos no intestino. Também tem sido sugerida como eliminadora de radicais livres, recolhendo as moléculas instáveis produzidas por toxinas ou pelo metabolismo, capazes de danificar os tecidos.
As provas são contraditórias. Alguns estudos, bastante antigos, indicam que a clorofilina pode diminuir o cheiro das fezes e da flatulência, embora também possa torná-las verdes. As evidências são ainda mais frágeis no que respeita ao mau hálito ou ao odor corporal.
A investigação que apoia o seu papel como antioxidante é limitada, e o entusiasmo em torno da perda de peso é sobretudo anedótico. Na prática, qualquer benefício nesse aspeto resultará mais provavelmente de uma alimentação rica em vegetais verdes - pobre em gordura e rica em fibra - do que da clorofila isoladamente.
O cenário é mais promissor nos cuidados de feridas. Pensos à base de clorofila têm sido estudados pela sua capacidade de acelerar a cicatrização e atenuar os odores de feridas infetadas.
Colagénio
Mas a clorofila não é a única substância supostamente «milagrosa» vendida ao público interessado no bem-estar. Veja-se o colagénio, provavelmente ainda mais popular do que qualquer pó verde ou cápsula de superalimento.
O colagénio é uma proteína e um componente natural do tecido conjuntivo presente em todo o corpo. Dá resistência e estrutura à pele, aos ossos, aos ligamentos, aos vasos sanguíneos e até ao coração e aos pulmões. Quando não existe colagénio suficiente - ou em doenças que comprometem a sua produção, como a síndrome de Ehlers-Danlos - os tecidos podem tornar-se frágeis, mais suscetíveis a lesões ou lentos a cicatrizar.
Há, por isso, motivos de sobra para garantir que o corpo o consegue produzir. O colagénio é formado a partir de aminoácidos, os elementos constituintes das proteínas, pelo que consumir proteína suficiente é fundamental. A vitamina C desempenha igualmente uma função vital, ao ajudar o organismo a sintetizar colagénio a partir desses aminoácidos.
Suplementos de colagénio: o que indicam as provas
Mas será realmente necessário suplementá-lo? O que mostram os estudos? Algumas investigações sugerem que os suplementos orais de colagénio podem melhorar o aspeto da pele, contribuir para a saúde das articulações, aumentar a resistência óssea e favorecer a massa muscular.
Porém, não existem provas convincentes de que promovam a perda de peso ou tratem doenças cardiovasculares ou autoimunes, apesar das promessas ambiciosas de algumas marcas.
Os produtos de colagénio para aplicação tópica são ainda mais comuns, mas têm um suporte científico mais reduzido. Em geral, as moléculas de colagénio são demasiado grandes para atravessar a pele, pelo que dificilmente terão um efeito relevante nas rugas. Na melhor das hipóteses, podem hidratar a superfície e criar temporariamente um aspeto mais preenchido.
Em suma, a investigação é irregular: encorajadora em certas áreas e inconclusiva noutras. E, para apoiar a produção natural de colagénio do organismo, poderão existir alternativas mais eficazes - e menos dispendiosas.
Alimentos como frango, peixe, ovos e caldo de ossos ajudam a assegurar uma boa ingestão de proteína. O mesmo se aplica aos micronutrientes que apoiam o colagénio, entre os quais a vitamina C, o cobre e o zinco.
Por isso, a menos que seja a Poison Ivy de Batman - que, sejamos justos, tem um aspeto fantástico - provavelmente não precisa de consumir grandes quantidades de clorofila. E, salvo se a sua alimentação tiver carências, também não precisa de gastar dinheiro em pós ou cremes de colagénio.
Goste da pele em que vive. É melhor do que ficar verde como Elphaba de Wicked.
Dan Baumgardt, Professor Sénior, Faculdade de Fisiologia, Farmacologia e Neurociências, Universidade de Bristol
Este artigo é republicado de The Conversation sob uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.






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