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Jantar mais cedo no inverno pode beneficiar o sono, o humor e o metabolismo

Mulher sentada a comer salmão e salada numa mesa de madeira junto a uma janela com vista para neve.
Neste artigo
  1. Porque jantar mais cedo no inverno pode ajudar
  2. Alimentação intencional no inverno
  3. Como ajustar os horários das refeições no inverno

Quando os relógios atrasam e a noite chega antes de muitos de nós sairmos do trabalho, o ritmo do inverno pode parecer mais exigente: dias mais curtos, fins de tarde mais escuros e, muitas vezes, jantares mais tardios. Contudo, ajustar o horário das refeições nesta estação pode tornar estes meses um pouco mais fáceis para o corpo e a mente.

O organismo funciona segundo ritmos circadianos - relógios internos de 24 horas que regulam o sono, o metabolismo, a digestão e os ciclos hormonais. Estes ritmos sincronizam-se naturalmente com a alternância entre luz e escuridão; por isso, à medida que a luz do dia desaparece mais cedo, o metabolismo começa também a abrandar.

A relação entre o metabolismo e a luz do dia pode ajudar a perceber por que motivo um número crescente de estudos na área da crononutrição indica que a hora a que comemos pode ser quase tão relevante quanto aquilo que comemos. A crononutrição analisa a interação entre os horários das refeições e o relógio biológico interno, bem como o impacto que os dias curtos podem ter no humor, no metabolismo e na saúde.

Porque jantar mais cedo no inverno pode ajudar

Por exemplo, um estudo verificou que adultos saudáveis que jantaram às 22h registaram picos de açúcar no sangue 20% mais elevados e queimaram menos 10% de gordura do que aqueles que jantaram às 18h. Isto aconteceu apesar de ambos os grupos terem consumido refeições idênticas e se deitarem a horas semelhantes.

Análises mais abrangentes apontam na mesma direção. Uma meta-análise de 29 ensaios revelou que períodos de alimentação mais cedo, menos refeições e o consumo da maior parte das calorias nas primeiras horas do dia estavam associados a maior perda de peso e a melhores indicadores metabólicos, como tensão arterial mais favorável e níveis mais baixos de açúcar no sangue e colesterol.

Outros trabalhos associam a alimentação noturna frequente - sobretudo perto da hora de deitar - a piores resultados de saúde e a um risco superior de obesidade e de perturbações metabólicas, como a diabetes de tipo 2.

Jantar mais cedo poderá estar mais de acordo com os ritmos metabólicos naturais do organismo, em especial quando a última refeição termina bastante antes de o corpo entrar na fase de “repouso”. Isto pode explicar os benefícios para a saúde de comer mais cedo.

Muitos cronobiólogos consideram que ajustar a ingestão alimentar à biologia circadiana é uma forma promissora e económica de melhorar os resultados metabólicos, sobretudo quando é conjugada com outros fatores de estilo de vida, como atividade física e uma alimentação saudável.

Alimentação intencional no inverno

No inverno, particularmente nas latitudes mais a norte, os dias mais curtos e as noites mais longas podem desregular os ritmos circadianos.

A menor exposição solar pode reduzir os níveis de serotonina, contribuindo para um humor em baixo ou para a perturbação afetiva sazonal. Em conjunto com noites mais prolongadas dentro de casa, é habitual que as pessoas petisquem mais vezes ou adiem o jantar para mais tarde.

No entanto, a digestão, a libertação de hormonas - incluindo as que ajudam a dormir e a digerir - e até a quantidade de calorias gastas ao longo do dia seguem ritmos circadianos. Quando as refeições ocorrem demasiado perto do sono, estes processos sobrepõem-se de formas que podem afetar tanto o metabolismo como o descanso, aumentando potencialmente o risco de sono de pior qualidade e de problemas metabólicos.

Embora a luz e a escuridão sejam os fatores com maior influência nos ritmos circadianos, a ingestão alimentar, o stresse, a atividade física e a temperatura também os condicionam.

Então, será aconselhável jantar mais cedo no inverno?

Para algumas pessoas, sim - pelo menos um pouco mais cedo. Há três razões principais para isso.

A primeira prende-se com o alinhamento metabólico. Comer enquanto o metabolismo continua ativo favorece um melhor controlo do açúcar no sangue, a utilização de energia e a queima de gordura.

A segunda está relacionada com a digestão. Deixar passar algumas horas entre o jantar e a hora de deitar permite que a digestão abrande antes do sono, o que pode melhorar a qualidade do descanso e a recuperação.

A terceira razão é o apoio ao humor e aos ritmos circadianos. Manter uma janela alimentar regular e jantar mais cedo pode ajudar a estruturar a rotina diária, algo especialmente útil quando outros indicadores temporais, como a luz do dia, são mais fracos.

Há, porém, uma ressalva: não se trata de uma solução igual para todos. Devem ser considerados diversos fatores, incluindo o nível de atividade, a existência de doenças crónicas e os horários de cada pessoa.

Um atleta de elite que treine ao final do dia poderá precisar de comer mais tarde para apoiar o desempenho e a recuperação. Já alguém menos ativo poderá beneficiar mais de um jantar mais cedo e mais leve.

Em vez de regras inflexíveis, encare o horário das refeições como um recurso flexível no seu conjunto de ferramentas nutricionais. O essencial é comer de forma intencional.

Como ajustar os horários das refeições no inverno

Isto implica ter em conta os seus objetivos - por exemplo, perder peso ou melhorar o desempenho desportivo -, a frequência com que faz exercício, a proximidade habitual entre o jantar e a hora de deitar, a forma como se sente consoante a hora a que janta e o que é viável dentro da sua rotina.

Se janta depois das 21h na maioria das noites e acorda sem energia, ou sente que dorme menos bem, pode valer a pena experimentar refeições mais cedo. Mas, se treina tarde ou costuma comer em convívios, isso também é aceitável: dê prioridade à qualidade em vez do horário, optando por refeições leves e equilibradas e deixando pelo menos duas a três horas antes de se deitar.

Algumas sugestões adicionais para os horários das refeições durante os meses mais escuros incluem:

  • terminar o jantar mais cedo, idealmente entre as 17h30 e as 19h00, ou pelo menos duas a três horas antes de deitar;
  • concentrar mais calorias no início do dia, tornando o pequeno-almoço e o almoço mais substanciais enquanto há mais luz e o metabolismo está mais ativo;
  • planear as refeições em função da atividade: se fizer exercício tarde, faça a refeição principal mais cedo e coma depois um pequeno lanche de recuperação;
  • manter uma janela alimentar regular, terminando de comer por volta das 20h na maioria das noites para favorecer o alinhamento circadiano;
  • observar e ajustar, registando durante uma ou duas semanas como o horário das refeições afeta a energia, a qualidade do sono e o humor, e fazendo alterações quando necessário;
  • manter a flexibilidade, lembrando que a perfeição não é necessária - o que importa é uma rotina regular e a consciência das suas necessidades.

À medida que o inverno se instala, prestar atenção à hora a que come pode ser tão importante como escolher o que come. Ajustar os horários das refeições aos ritmos naturais do organismo pode ajudar a estabilizar a energia, o humor e o sono durante os meses mais escuros.

Mas a verdadeira chave é a intencionalidade: tomar decisões que favoreçam a saúde, em vez de seguir regras rígidas que gerem stresse. O ritmo mais saudável é aquele que se harmoniza tanto com a sua biologia como com o seu estilo de vida.

Catherine Norton, Professora Associada de Nutrição no Desporto e Exercício, Universidade de Limerick

Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.

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Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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