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Horas de vazio: Enedis altera os horários para 11 milhões de clientes

Casal jovem analisa fatura e app de consumo de eletricidade numa cozinha iluminada pela luz do pôr do sol.
Neste artigo
  1. Porque estão as horas de vazio a mudar
  2. O que os lares devem confirmar antes de alterarem os seus hábitos
  3. Uma pequena revolução nos hábitos que não é insignificante

Uma máquina de lavar roupa ligada depois do jantar, o termoacumulador a arrancar discretamente, um carro elétrico posto a carregar antes de deitar: em muitos lares, as horas de vazio continuam a orientar uma parte silenciosa da rotina doméstica. Porém, este pequeno hábito vai mudar. A Enedis está a implementar novos períodos para os aproximar dos momentos em que a eletricidade é mais abundante, em especial devido à produção solar durante o dia. Para milhões de clientes, a alteração não será repentina nem igual em todo o lado. Ainda assim, poderá mexer com costumes instalados há anos, por vezes sem sequer darmos por isso. Uma notificação do fornecedor, uma reprogramação remota do contador Linky, e a máquina de lavar roupa deixará de ter exatamente o mesmo custo à mesma hora. Os pormenores fazem diferença.

Porque estão as horas de vazio a mudar

Todos conhecemos a situação: esperar pelo fim da noite para ligar a máquina de lavar loiça, na ideia de tomar uma decisão inteligente para reduzir a fatura. Tradicionalmente, as horas de vazio eram sobretudo fixadas durante a noite, quando o consumo nacional baixava. Este modelo continua a ter utilidade, mas já não corresponde inteiramente à realidade da rede elétrica. Ao meio-dia, os painéis fotovoltaicos podem gerar muita energia, sem que habitações e escritórios consigam sempre utilizá-la em quantidade suficiente.

Desde 1 de novembro de 2025, a Enedis iniciou gradualmente uma evolução que deverá prolongar-se até ao final de outubro de 2027. Cerca de 11 milhões de clientes com uma opção de horas cheias-horas de vazio são abrangidos, de acordo com o calendário definido no âmbito das decisões da Comissão de Regulação da Energia. O objetivo não é eliminar as oito horas diárias de tarifa reduzida. Estas serão repartidas de outra forma: pelo menos cinco horas seguidas durante a noite e até três horas possíveis durante o dia, frequentemente no período entre as 11 horas e as 17 horas.

Por isso, a alteração não quer dizer que todos os lares tenham de passar, de um momento para o outro, a pôr os eletrodomésticos a funcionar à hora de almoço. A lógica é simples: transferir parte dos consumos para os períodos em que existe mais eletricidade disponível ajuda a reduzir a pressão sobre a rede. Energia mais barata também é energia consumida no momento mais adequado. A Enedis ajusta os horários a nível local, tendo em conta as limitações técnicas e o consumo registado. Assim, dois vizinhos podem ter períodos diferentes, mesmo vivendo na mesma rua.

O que os lares devem confirmar antes de alterarem os seus hábitos

O primeiro passo é acompanhar as informações enviadas pelo fornecedor de eletricidade. Quando os períodos forem modificados, o cliente deve ser avisado, recebendo os novos horários aplicáveis e a respetiva data de entrada em vigor. Também é possível consultar a área de cliente online ou os dados apresentados no contador Linky. No caso de equipamentos programáveis, por vezes basta uma simples confirmação: é necessário ajustar a hora de início diferido da máquina de lavar roupa, da máquina de secar ou do carregamento do veículo.

O termoacumulador merece atenção especial, já que muitos lares ainda usam o contactor dia-noite definido em modo «automático». Na maioria das situações, a instalação seguirá automaticamente o sinal enviado pelo contador. No entanto, algumas programações de domótica, postos de carregamento ou equipamentos mais antigos podem manter configurações próprias. Sejamos sinceros: ninguém verifica realmente isto todos os dias. É preferível dedicar dez minutos à tarefa no dia em que chega o novo horário do que descobrir, meses depois, que a água está a aquecer na altura errada.

Um erro habitual é assumir que a opção de horas de vazio se mantém automaticamente vantajosa em todas as casas. Tudo depende da proporção de eletricidade que é efetivamente deslocada para esses períodos.

«Os novos períodos não devem ser encarados como uma imposição: podem tornar-se uma oportunidade para rever os consumos mais elevados», recorda regularmente a Enedis nas suas informações práticas destinadas aos clientes.

Algumas verificações simples ajudam a evitar surpresas desagradáveis:

  • identificar os horários exatos indicados na fatura ou na área de cliente;
  • programar os aparelhos que mais consomem, sem os pôr a funcionar desnecessariamente;
  • confirmar o acionamento do termoacumulador após a alteração;
  • comparar, se necessário, o custo efetivo da opção com uma oferta tarifária convencional.

Uma pequena revolução nos hábitos que não é insignificante

Para alguns agregados, os novos horários encaixarão quase naturalmente na rotina. Uma família em teletrabalho poderá ligar a máquina de lavar roupa no início da tarde, enquanto o proprietário de um carro elétrico ajustará o carregamento aos novos períodos noturnos. Para outros, a adaptação será menos simples: horários laborais, habitação pouco equipada ou impossibilidade de utilizar um aparelho durante o dia. A poupança dependerá sobretudo da flexibilidade real de cada lar, e não de uma promessa genérica apresentada num folheto.

Esta reforma relembra também uma realidade muito concreta: não é fácil armazenar eletricidade em grande escala, e o seu preço varia conforme o momento em que é consumida. Quando o sol está forte em grande parte do país, deslocar determinados usos pode ajudar a aproveitar melhor a produção renovável local. Não se trata de uma ordem para viver ao ritmo do contador. É, antes, um convite para observar o que consome energia em casa, entre o café da manhã, o banho das crianças e os aparelhos deixados em modo de espera.

As horas de vazio estiveram durante muito tempo associadas à noite, quase por automatismo. A sua chegada parcial ao período diurno poderá causar surpresa e, depois, tornar-se banal, como tantas outras configurações domésticas. As oito horas de tarifa reduzida mantêm-se, mas a sua nova distribuição revela outra forma de consumir eletricidade. Os lares que se informarem cedo terão maior margem para tirar partido da mudança, sem transformar o quotidiano. E, à sua volta, os novos horários já mudaram a forma como se põem os aparelhos a funcionar?

Ponto essencial Pormenor Valor para o leitor
Implementação progressiva As alterações começaram em 1 de novembro de 2025 e deverão decorrer até ao final de outubro de 2027. Antecipar a informação enviada pelo fornecedor, em vez de ser apanhado de surpresa por uma mudança inesperada.
Oito horas mantidas O total diário de horas de vazio não desaparece: é distribuído de forma diferente, com uma parte noturna assegurada. Ajustar as programações sem pensar que a tarifa vantajosa foi eliminada.
Períodos possíveis durante o dia Até três horas podem ser fixadas entre as 11 horas e as 17 horas, consoante a zona e o calendário da Enedis. Aproveitar melhor os períodos de elevada produção solar, quando forem compatíveis com a rotina diária.

Neste momento

Inês Margarida Correia

Inês Margarida Correia é engenheira alimentar e consultora em processos de panificação e confeção em forno, com especialização em fornos tradicionais e controlo de temperatura e humidade. No sitiodoforno, partilha conhecimento sobre técnicas de cozedura, manutenção de fornos e receitas que valorizam a tradição portuguesa com rigor técnico. Interessa-se particularmente por fermentações, lenha e eficiência energética aplicada à cozinha.

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